#Fazendo História - Entendendo o Saber Psiquiátrico

in pt •  15 days ago

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Mês Setembro Amarelo


Boa tarde!

Hoje participo da iniciativa de grande valor na nossa comunidade, organizada pelo @leodelara, e com premiações semanais, o #FazendoHistoria é um presente para nós. E ainda conta com a reunião semanal pelo próprio @leodelara no @msp-brasil.

A Psiquiatria como especialidade médica, percorreu um caminho diferente da evolução científica, para entender qual objeto de estudo e saber estará o saber psiquiátrico, é preciso fazer um percurso na história do saber como um todo.

Dentre autores que me guiam nessa referência, dentre muitos autores, mas esses dois leio praticamente todos os dias, trago o falecido A. L. Nobre de Melo, grande psiquiatra brasileiro, ex-professor catedrático da UFF. Que nos deixou um tesouro, em forma de escrita, ainda pouco explorado, com o livro Psiquiatria em dois volumes de imenso conhecimento.

Também utilizo como referência, o autor Paul Bercherie com o livro de origem a partir da sua tese de mestrado, Os Fundamentos da Clínica - História e estrutura do saber psiquiátrico.

Quando decidi mudar de especialidade prática, e buscar novas referências teóricas, foi difícil ter um ponto de partida por onde começar.

O que é psiquiatria? O que faz o psiquiatra? O que é normal? O que é doença? Quais instrumentos utilizar como saber? Como aplicar a teoria na prática?

Essas dentre outras, são questões que levantei para me direcionar na prática clínica, e na minha formulação de saber.

As especialidades médicas contemplam diretrizes, com uma forte influência do positivismo de Augusto Comte, nas perspectivas que o orgânico é um objeto pronto, que será interpretado a partir da disfunção orgânica direta e visualizável, a medicina baseada em evidências se torna mais fácil de ser entendida e aplicada. No que chama-se biomedicina.

Na psiquiatria onde o objeto se encontra na capacidade de compreender e explicar a mente, mesmo que contemple disfunções orgânicas por vezes, não são fáceis de visualizar, e também não são fáceis de extrair essa investigação sem ter a prática clínica, a experiência de casos, somando ao saber teórico.

Assim a racionalização do nosso subjetivo, na busca de compreender o sofrimento do paciente, irá contemplar caminhos em comum e diferentes da medicina geral, e assim como cada especialidade, terá suas particularidades.

”Haveria, por assim dizer, uma tensão agnóstica de fundo na psiquiatria entre a objetividade biológica e a errância do ser humano que não pode ser eliminada ou evitada.” - Banzato e Pereira, 2015.

Difere na psiquiatria o substrato biológico para levar em consideração, e identificar os processos patológicos, são disfunções ao nível da biologia molecular, somente isso não nos proporciona a dimensão do real, na avaliação a partir de um todo. E para entender por onde trilhar essa base de saber, invariavelmente se faz necessário fazer esse percurso pela história do saber psiquiátrico. É com a história, com o passado, que podemos, além de aprender com ele, e na psiquiatria temos que aprender com o passado, nos ajuda a saber como podemos interpretar o presente, a clínica do real do caso a caso em suas singularidades, em um comum patológico bem refinado.

Não serão fatos verificáveis que poderiam ser sistematizados, como evidências verificáveis sem a presença do subjetivo humano, na verdade não deveria existir essa questão, mas existe, dado que existem fatos verificáveis, no entanto sempre passaram e precisam passar pela interpretação subjetiva humana.

As nosologias atuais são generalistas, servem ao seu fim, e estão a se atualizar conforme seu tempo. Elas também não nos proporciona o meio, somente uma margem do fim.

Se faz necessário instrumentos para interpretação, para o uso prático do saber. É o que chama-se “clínica”, que é uma racionalização a partir da escuta do paciente, um racional a partir da interpretação. Utilizando instrumentos de saber como doutrinas e teorias, na escuta do paciente, interpretando seus sinais e sintomas, o exame físico, somado ao entendimento do funcionamento orgânico, e farmacológico, assim elaborando hipóteses diagnósticas e diagnósticos diferenciais que irão orientar a conduta no médico.

Essa clínica do qual discorro, a clínica psiquiátrica é de extrema importância, e nos ajuda a avaliar e identificar do que sofre o paciente que nos chega, e entender se esse sofrimento se articula com presença ou não de uma configuração mórbida.

É aqui que a medicina como em qualquer área que precisa de empatia, se aproxima da arte, da função dos artistas de expressar sua subjetividade. Só que na medicina precisamos entender que a nossa função não nos serve, se não servir para amenizar o sofrimento do outro.

“Aliás a “província” do mental é indissociável do que poderíamos denominar de núcleo da experiência humana, relações de sentido, ações intencionais, paixões, linguagem, racionalidade, singularidade. A vida humana é vivida com senso de propósito. As pessoas têm aspirações e perseguem metas, únicas para aquele indivíduo ou compartilhadas, que se encontram bloqueados pela instalação do processo mórbido.” (Banzato, Pereira - 2014).

Essa história do qual se apoiam as referências citadas, irão percorrer autores que remontam a filosofia helênica, e a teoria do conhecimento. Desde Heráclito, Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Kant, Binswanger, Husserl, Foucault, Jaspers, Clérambault, Jung, Morel, Kraepelin, Falret, Freud, Lacan, Pinel, Esquirol, Minkowski, Leme Lopes e muitos, muitos mesmo, não citados, escolas diferentes que produziram saberes diferentes, e por perspectivas diferentes.

E que nos compele a sintetizá-los para tentar se aproximar do entendimento da existência humana, e prestar um bom serviço ao próximo, que nos confiam e esperam sermos portadores desse suposto saber.

Quando mais se aprende, mais se tem em conta que precisa aprender mais. Temos muito conhecimento disponível, e pouco utilizado. Ainda tenho um longo percurso, que compartilharei por aqui, hoje compartilho a importância da história na elaboração de qualquer saber.


Citações:

  • Banzato, Cláudio E.M. ; PEREIRA, M. E. C. . O lugar do diagnóstico na clínica psiquiátrica. In: Zorzanelli, Rafaela; Bezerra Jr, Benilton; Costa, Jurandir Freire. (Org.). A criação de diagnósticos na psiquiatria contemporânea. 1ed.Rio de Janeiro: Garamond, 2014, v. , p. 35-54.


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